04 de novembro de 2011  
     
  Boletim nº 11  
     
     
 
 

Anprotec e CNI assinam acordo de articulação para consolidar melhores práticas de inovação do Brasil

 
 

A Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) firmaram um acordo que objetiva a consolidação, de forma organizada, das melhores práticas de inovação do país, com ênfase nas empresas. O objetivo principal é a coleta de informações por meio da articulação dos principais atores do Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) em cada região brasileira.

A novidade foi antecipada pelo presidente da Anprotec, Guilherme Ary Plonsky, nesta quarta-feira (26), durante o 21º Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas, realizado em Porto Alegre (RS), entre os dias 25 e 28 de outubro. A assinatura formal será realizada nos próximos dias, em Brasília(DF).

De acordo com o consultor e ex-diretor da Anprotec, José Alberto Aranha, esta parceria coloca o movimento de mobilização nacional da inovação, iniciativa do governo federal para que o Brasil se torne mais competitivo, bem mais próximo das empresas. “A parceria agrega o setor empresarial ao movimento, segmento que tem na inovação sua principal ferramenta de competitividade. Empresas que não inovam só sobrevivem em mercados sem concorrência”, afirmou com exclusividade para o Gestão C&T online.

Aranha ressalta que a CNI é o grande articulador da mobilização de inovação no Brasil. Nessa preocupação, em dois anos realizou três fóruns que culminaram em uma carta de estímulo à inovação no país. Mais de 200 grandes empresários assinaram o documento e se comprometeram a investir em inovação para que as empresas brasileiras possam ser competitivas mundialmente.

Paralelas a essa iniciativa, surgiram outras de várias instituições e do próprio governo federal, com o mesmo foco. Com o acordo, será possível viabilizar uma ampla articulação em cada Estado para reunir tudo o que tem sido feito em prol da inovação. “A Anprotec já tem uma rede, composta de atores estabelecidos em cada região, que iniciaram trabalhos nesse sentido, e que agora terão uma atenção específica”.

Após a formalização da assinatura, o próximo passo será uma reunião entre a Anprotec e a  CNI para estruturar a realização dessa coleta de informações. A expectativa, informa Aranha, é gerar, o mais rápido possível, um documento para ser entregue ao governo federal como apoio no estabelecimento de políticas públicas para o setor.

Segundo Aranha, pequenas e grandes empresas possuem dificuldades diferenciadas. No caso das menores que nascem de grupos de pesquisa de universidades, por exemplo, dificilmente conseguem continuar inovadoras quando se afastam da academia.

As grandes possuem profissionais capacitados, mas não têm, na maioria dos casos,  uma forma organizada de processo de gestão da inovação. “Quando uma ideia surge, geralmente é reconhecida, mas dar continuidade a ela, tornando-a um produto ou um processo é muito difícil se não houver uma política estabelecida dentro do negócio”.

Fonte: Gestão C&T online - Cristiane Rosa, de Porto Alegre

 
 

Entidades em prol do Venture Capital

 
 

O assunto investimento passou a ser largamente abordado durante o ano de 2011. Países diversos correram para o mercado brasileiro devido à estabilidade da economia e diversas pequenas e médias empresas (PME) foram beneficiadas com investimentos. Ainda assim, a cultura de investimentos via capital de risco, o venture capital e private equity, não são tão comuns entre os brasileiros.

Na sessão plenária que discutia o “desenvolvimento de empresas inovadoras de alta performance – o papel do Venture Capital”, mediada por José Alberto Sampaio Aranha, diretor do Instituto Gênesis da PUC-Rio, foram apresentadas algumas instituições que buscam promover a cultura do investimento em PMEs e os números de investimentos já realizados por elas.

Entre os palestrantes, Clóvis Benoni Meurer, vice-presidente da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (Abvcap), José Eduardo Azevedo Fiates, diretor geral da CVenture e Thomás Tosta de Sá, presidente do Instituto Brasileiro do Mercado de Capitais (Ibmec), a opinião sobre os processos burocráticos foi a mesma. “É preciso evitar um engessamento dos projetos por causa de uma burocratização de processos. Temos que criar uma cultura de empreendedorismo, pois quando o jovem tem a ideia original, a burocracia pode paralisar o processo”, afirma Fiates.

Ainda segundo ele, “não é na geração da ideia que se assina o acordo”, por isso a necessidade de aprimorar o projeto, de fazer parte de uma incubadora ou parque tecnológico que possibilitam o desenvolvimento da empresa, de se profissionalizar também as incubadoras por meio do Modelo Cerne, e da criação de uma cultura de ‘Investidores Retribuidores’. Ou seja, é fazer retornar à sociedade aquele investimento na forma de uma pesquisa científica relevante, por exemplo.

Como funciona o investimento
Meurer explica que há vários tipos de fundos de participação, entre eles o private equity, venture capital e seed, que representam diferentes estágios de investimento. Os dois primeiros geralmente são feitos por gestores independentes, que alocam recursos de investidores e tem perfil a longo prazo, existindo, porém, um prazo estabelecido para saída do investimento.

De acordo com ele, os projetos são recebidos e analisados dentro de um ano, precificados e negociados com as empresas. Fechada a proposta, o investimento resulta em uma participação relevante de 20 a 60% na empresa.  “Nós viramos sócios dessas empresas, ou os acionistas dela. Levamos o capital e as técnicas de gestão, governança e estratégias para que possam acelerar o seu crescimento”.

De 3.931 propostas recebidas pela Abvcap no último ano, 50 negócios receberam investimento. Ainda que os recursos sejam arrecadados de grandes investidores e de agências de fomento, de desenvolvimento, fundos de pensão regionais, estaduais, junto a universidades, famílias, investidores anjos, esse número representa 1,3% dos investimentos, um número ainda muito baixo em relação a outros países.

Os argumentos em relação ao baixo investimento não ficam apenas na questão da burocracia, mas também na falta de preparo de muitas empresas para receber o dinheiro. “O preparo dos dois lados é muito importante para que o sucesso possa ir em frente”, afirma Tosta de Sá. Para ele o crescimento sustentado das empresas só aumenta com a produtividade dos fatores de produção e com a melhoria de três recursos: humano, por meio da educação e inovação; natural pela eficiência na exploração do meio ambiente através de novas tecnologias e respeito; e financeiro, com o mercado de capitais e a alocação eficiente da poupança pública e privada.

 
 

Vencedores do Prêmio de Empreendedorismo Inovador

 
 

Durante a solenidade de encerramento do XXI Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas e XIX Workshop Anprotec, realizada na última quinta-feira (dia 27 de outubro), foram anunciados os vencedores do Prêmio Nacional de Empreendedorismo Inovador 2011.

A premiação, que completou 15 anos nessa edição, é considerada uma das principais ações de reconhecimento do movimento empreendedor e de inovação no país. Promovido pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), o prêmio contou esse ano com a parceria da Microsoft que contemplou com R$ 5 mil reais os primeiros colocados nas categorias incubadora de empresas, empresa incubada e empresa graduada, e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Além deles, o prêmio contou com o apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Vencedores das seis categorias
Esse ano a CELTA, Centro Empresarial para Laboração de Tecnologias Avançadas, Incubadora da Fundação CERTI, ganhou dois prêmios de destaque, o primeiro lugar da categoria de melhor empresa incubada (EI), para a Welle Tecnologia Laser, que trabalha com a tecnologia de marcação a laser para a área automobilística e a parte de sondagem a laser para a naval, e o prêmio de melhor incubadora de empresas orientadas para a geração e uso intenso de tecnologias (PIT).

"Em âmbito nacional isso representa o que nós fizemos, pois quem ganha um prêmio deste é porque tem inovação. Para o CELTA, o prêmio mostra a capacidade e a competência da equipe que temos", afirma Tony Chierighini, diretor executivo da incubadora.

Já na categoria melhor incubadora de empresas orientadas para o desenvolvimento local e setorial (DLS), o prêmio foi entregue ao CENTEV, Centro Tecnológico de Desenvolvimento Regional de Viçosa. "Foi o reconhecimento de um trabalho de 15 anos, de um relacionamento importante com os empreendedores e empresários e de uma equipe boa de trabalho", afirmou Wender Fraga Miranda, coordenador da incubadora.

O prêmio de melhor empresa graduada foi dado à Visagio, consultoria em gestão graduada pela incubadora COPPE da Universidade Federal do Rio de Janeiro.  O prêmio de melhor projeto de promoção da cultura do empreendedorismo inovador (CEI), foi entregue ao Programa Mineiro de Empreendedorismo na Pós-Graduação, da Secretária de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais - SECTES MG.

E, para finalizar a premiação, foi anunciado o Porto Digital como ganhador do prêmio de melhor parque tecnológico (PTH) do ano. "Uma premiação é sempre um momento importante de reconhecimento de um trabalho feito com muita seriedade e dedicação, mas ele tem um significado especial para nós que fazemos parte de uma região mais periférica como o Nordeste. Porém, que tem a capacidade de gerar empreendimentos altamente inovadores", finaliza Francisco Saboya, presidente do Porto Digital.

 

 

 
     
 

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